sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Summer Project



Olá pessoas!

Hoje faltam exatamente 13 dias para eu pegar meu voo para o Brasil!!! =O

Além disso, faltam exatos 22 dias para meu aniversário! Me lembro dessa mesma época do ano ano passado, quando eu estava ansiosa para acabar o PSE, fazer aniversário na Escócia, começar as aulas do ano letivo e ver o Davi! Um monte de coisas prestes a acontecer tão pertinho uma da outra!

Dessa vez estou um pouco ansiosa também para voltar para o Brasil, voltar às aulas da faculdade, rever minha família e amigos e também fazer aniversário, o que eu adoro! Tudo bem que eu já to ficando meio velha, mas enfim. :p

Hoje também foi um dia importante nessa etapa de encerramentos e recomeços, pois foi o meu último dia de summer project! Pois é, desde que eu recebi o e-mail falando para eu me encontrar com a coordenadora da Neuroscience para conversar sobre o meu summer project que eu fico pensando em fazer um post bacana sobre isso, mas eu sempre pensava "qual a lógica de fazer isso agora?". Parei para ver que talvez fosse ser mais interessante falar sobre todo o processo de uma vez.

Cada universidade organiza essa questão do summer project para os alunos do CSF de uma forma particular e, além disso, os departamentos dentro das unis também podem variar na forma como eles distribuem e cobram os alunos em relação a isso. Por fim, os próprios coordenadores dos departamentos que recebem os alunos tem condutas diferentes. Hahaha. Ou seja,  a questão do estágio no verão varia muuuito. Isso é uma pena, pois acredito que este momento poderia ser muito mais proveitoso para vários alunos que eu vi passarem por projetos que não forem lá grande coisa, ao passo que outros tiveram estágios maravilhosos. Por conta dessas variações todas, vou contar um pouco da minha experiência.

Aqui na Uni of Dundee o departamento de Life Sciences é muito renomado e influente, sendo o de Neuroscience bastante importante nesse meio, bem como os pesquisadores e professores que nele trabalham. Acredito que isso influencie um pouco o fato de eles serem um dos mais organizados que vi aqui na Uni em relação à oferta de summer project para os alunos do CSF.

No dia 28 de janeiro (!) eu recebi um e-mail do departamento de Neuroscience me pedindo para escolher em ordem de preferência os projetos que me interessavam, dentre quatro disponíveis. Como nós éramos quatro alunos neste curso, cada um foi alocado em um dos projetos, sendo o critério de escolha a preferência dos alunos e as notas dos mesmos. Felizmente, eu fiquei no projeto que eu escolhi como primeira opção! :)

Depois disso, nós fomos chamados para uma reunião com a coordenadora da Neuroscience, que explicou como os projetos funcionariam e nos passou quem seriam nossos orientadores. Alguns dias depois eu fui apresentada à minha orientadora e nós combinamos a data que eu começaria o meu projeto, que foi no dia 13 de maio. Nesse meio tempo eu apenas continuei com minhas atividades normais da faculdade, viajei, voltei e comecei o projeto.

A minha orientadora e os alunos de PhD que estão lá no lab estão pesquisando sobre doença de Alzheimer e a influência hormonal e de algumas drogas na progressão desta doença. A maioria dos estudantes estão avaliando a influência da leptina e/ou seus fragmentos e do estrogênio na transmissão sináptica de células hipocampais de camundongos. Eles fazem isso por meio de eletrofisiologia e imunofluorescência.

No meu caso, eu estava testando a influência de algumas drogas antagonistas e agonistas dos receptores de estrogênio nessas células fazendo imagens de imunofluorescência. Basicamente, eu passei o verão fazendo imagens de células piramidais hipocampais para ver o quão "brilhantes" elas estavam normalmente, sob a influência dessas diferentes drogas, sob a influência de amilóide beta e de uma combinacão das drogas separadamente com amilóide beta. Essa amilóide beta está intimamente ligada ao desenvolvimento da doença de Alzheimer, pois ela forma placas amilóides, que são encontradas em pacientes com esta doença. Ah, e o "brilho" das imagens me mostrava o quanto essas variáveis influenciam a atividade de receptores específicos sendo internalizados, ou seja, a influência delas na transmissão sináptica. :)

Falando assim parece bem simples e bacana, mas na verdade eu tive muito trabalho e consegui poucos resultados, os quais não trouxeram nenhuma informação nova relevante para o tema. É triste, mas isso é ciência! Haha! No início eu estava meio perdida, mas depois eu descobri que apenas uma aluna de PhD até agora havia feito experimentos com as mesmas drogas que eu estava testando. Ou seja, pouco inovador e desafiador. ¬¬

Bem, o tempo acabou sendo curto para a ambição do projeto, mas eu aprendi muuuuita coisa, tanto teórica, quanto prática. Além disso, eu também tive muita independência no lab desde a primeira semana, o que sempre significou muita responsabilidade também. Na primeira semana a PhD que me supervisionava me ensinou tudo que eu precisava saber para fazer meus experimentos, minhas imagens, meus gráficos e a análise estatística deles. Depois disso eu fui fazendo tudo sozinha, mas ela estava por lá na maior parte do tempo, caso eu precisasse de algo ou fizesse besteira. Aliás, ela me ensinou muita coisa e foi um anjinho que apareceu no meu caminho! <3

Esse período foi muito bom para mim, eu aprendi milhões de coisas que eu nunca tinha aprendido em mais de dois anos de iniciação científica no Brasil e, de fato, coloquei a mão na massa. É um pouco frustrante não ter tido resultados que pudessem gerar uma publicação, mas eu fico feliz por ter aprendido tudo que aprendi. Tenho certeza que a experiência vai valer para o dia que eu quiser começar um mestrado, doutorado ou algo assim. :)

Algumas das lâminas de imuno que eu fiz agora no finalzinho.
   


O microscópio confocal em que eu visualizava as lâminas e produzia as imagens de imuno.



Com as imagens criadas, eu produzia gráficos com informações sobre o "brilho" relativo que eu comentei e então fazia a análise estatística desses gráficos. 



A única crítica que eu deixo, e também sugestão para os que forem estudar na Uni of Dundee pelo CSF vem agora. No quarto ano os alunos daqui podem fazer um projeto que dura todo um semestre e ele ocorre como um módulo integral; os alunos tem orientação frequente e tempo de prática; com isso eles tem mais tempo para produzir e, consequentemente, apresentar posters e publicar. Porém, os alunos do CSF não são alocados no quarto ano daqui, mesmo tendo experiência de lab, muitas matérias cursadas no Brasil e tudo mais! Ou seja, é uma coisa que se fosse diferente, poderia acrescentar muito mais aos intercambistas. Minha sugestão para esses novos alunos (que estejam de fato interessados) é: pentelhem ao máximo seus coordenadores aqui para eles serem mais flexíveis, se informem sobre os módulos disponíveis (na secretaria do Life Sciences) para vocês na Freshers e antes de primeira semana de aulas, mostrem o desejo de algo mais prático! Aqui tudo veio meio que "pré-moldado" para os alunos do CSF, sendo que na verdade a gente poderia ter feito muito mais. Eu pelo menos fui bastante elogiada pela minha supervisora (o que me deixou muito feliz! \o/ ) e tenho certeza que eu teria aproveitado mais estando no quarto ano e fazendo algo assim ao invés de ter ficado assistindo às aulas que eu assisti. Além disso, ao longo do ano acadêmico, existem vários congressos e encontros científicos que possibilitariam apresentações de banners, por exemplo. A minha orientadora me convidou para ir apresentar meu projeto na University of Glasgow, mas eu já não estarei mais aqui... ¬¬   Ou seja, vamos batalhar para fazer o intercâmbio valer mais a pena, galera!

Acho que é basicamente isso que eu tenho para contar sobre o meu summer project.

Abraços e até logo! :)


terça-feira, 5 de agosto de 2014

Módulos de Neuroscience e um pouco sobre o Life Sciences

Olá pessoal!

Tem bastante coisa acontecendo no meu verão e já está super pertinho de eu voltar para casa! Na verdade ainda não sei se estou triste ou feliz com isso. Acho que estou em um meio termo saudável! Hehehe.

Fico triste por deixar uma parte da minha vida que tem sido tão legal e sei que ficarei muito saudosa por não ter tudo que tenho tido e tenho vivido aqui quando eu voltar para o Brasil. Apesar de amar o que eu estudo no Brasil, minha Universidade, família e amigos, sei que a realidade será dura na volta. Além disso, aprendi a tirar muitos preconceitos e hábitos da minha vida que sempre foram presentes, mas sei que lidarei com eles de novo quando voltar. Seja pelo ambiente, pelas pessoas e por mim mesma naquele meio. Isso me cansa um pouco só de pensar, mas tudo bem. Acho que a minha meta pessoal agora é tentar manter o que eu consegui mudar e aprender aqui, agregar essas pequenas coisas definitivamente ao meu caráter e forma de ser, independente do que está ao meu redor. Vamos ver no que dá! :)

De qualquer forma, continuarei mantendo a promessa de postar as principais coisas que costumam me perguntar aqui no blog sobre o CSF, sobre a Uni of Dundee e sobre o curso de Neuroscience. Sendo assim, hoje vou falar um pouco sobre meu curso, o ano que me encaixei aqui e sobre os módulos que cursei. Depois dessas coisas, conto mais sobre as coisas bacanas e viagens que fiz! ;)

Como já falei bastante por aqui, faço Medicina no Brasil e vim estudar Neuroscience aqui na University of Dundee. Quando optei pelo curso, tentei buscar algo que se aprofundasse de alguma forma em uma área da medicina, por isso pensavam em Public Health, Pharmacology ou Neuroscience.

A maioria dos alunos que vem pelo CSF originalmente de um curso da saúde são alocados no terceiro ano na Uni of Dundee. Acredito que eles veem no nosso histórico que já vimos muitas das matérias básicas no Brasil, então não nos diferenciam muito entre os anos daqui. Ou seja, bem pouco provável ficar no quarto ano. Já o pessoal da engenharia costuma ficar no quarto ano, porque mesmo estando no terceiro ano no Brasil, a maioria já viu muitas matérias do quarto ano aqui.

No quarto ano dos cursos do Life Sciences o pessoal tem um módulo que dura um semestre todo de projeto prático mesmo, por isso acho que evitam nos colocar neste ano. É uma pena, porque seria muito mais legal estar "colocando a mão na massa" por um semestre todo ao invés de fazer isso apenas no Summer Project (que logo logo falo dele!). Teria sido muito mais proveitoso do que assistir às aulas convencionais, pelo menos é o que eu acho!

Estando no terceiro ano daqui e em um curso específico, o aluno tem que cursas duas matérias obrigatórias daquele curso por semestre e algumas optativas. No caso do curso de Neuroscience e o de Pharmacology, as obrigatórias do primeiro semestre são Neurophysiology e Molecular Pharmacology no primeiro semestre e Neuropharmacology, Systems Pharmacology 1, Systems Pharmacology 2 no segundo semestre. Eu escolhi de optativas matérias de fisiologia, que foram Endocrine control of body homeostasis no primeiro semestre e Respiratory & Renal Physiology e Gastrointestinal Physiology and Nutrition no segundo semestre.

Sobre os outros cursos do Life Sciences com alguma vertente da medicina, aqui estão os módulos obrigatórios e optativos e o respectivo semestre em a que disciplina está disponível:







Cada módulo dura 10 semanas e ocorrem de dois em dois mais ou menos (a não ser que você pegue uma terceira optativa). Ao final de cada módulo fazemos uma prova de múltipla escolha que costuma pesar cerca de 20% da nota final. Ao final do semestre fazemos todos os degree exams (que são as provas discursivas deles), que costumam pesar 60% da nota final. Ao longo dos módulos temos aulas práticas e workshops, que geram trabalhos a serem entregues, valendo os 20% de notas que resta. A presença costuma ser obrigatória nestas atividades, mas nas aulas teóricas varia de disciplina para disciplina. As práticas sempre geram practical reports para serem entregues e os workshops costumam variar entre worksheets com questões para entregar depois, a testes na hora da atividade ou exames on-line com um deadline para serem respondidos. Algumas matérias também incluíram essays para serem entregues com algumas opções de tema a serem discorridos. Eu achei esses trabalhos a melhor parte, pois adorei praticar minha escrita formal em formato de paper em inglês com essas atividades.

Os exames de múltipla escolha costumam ser mais tranquilos, apesar da decoreba bizarra, ao passo que os discursivos são mais complexos, com questões estilo essay. Isso quer dizer: provas com 2 a 6 questões gigantes para serem respondidas em muitas linhas, nas quais você deve ser sempre muito específico nos assuntos e, se possível, fazer esquemas, diagramas etc. Ou seja, meio complicado, mas nada impossível para quem costuma fazer questões discursivas em suas provas no Brasil.

Detalhe: Muita coisa é on-line!!! O Site da Uni é muito bom, o aluno on-line perfeito (com app para ipad!), as aulas e materiais extras costumam estar disponíveis antes mesmo das aulas para os alunos acompanharem durante as mesmas (enquanto no Brasil temos que implorar por isso muitas vezes...) e as provas costumam ser digitadas ao invés de escritas à mão (o que dá um nervoso porque fica um barulho surreal de digitação na hora e o cronômetro do computador fica mostrando o tempo e, caso você não termine, ele envia o exame do jeito que estava quando o tempo acaba. Hahaha) 

Acho que é basicamente isso que tenho a dizer do curso! :)

No próximo post conto para vocês como foi meu Summer Project, pois ele acabará esta semana!

Beijo e até breve!